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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Silêncio [1]

É velho, acontece cada coisa na vida que a gente nem sente ela passar. Visto que eu ainda novo para o tempo estou velho para acreditar em milagres. A mais importante, não por ser a melhor, mas sim a mais dificil das idades pra se viver.
No meu mundo a realidade é outra



"De noite e em uma estrada de piçarra de difícil acesso é quase sempre o cenário preferido de assaltos e assassinatos das quadrilhas do interior do Pará. Para o azar de alguns comerciantes essas estradas estão em abundancia por todo o território paraense. Era o azar de algumas famílias que perdiam dinheiro, pais e irmãos nessa desordem injusta. Era o azar de alguns desses assaltantes. Essas estradas eram por onde eu sempre passava."
(Carlos Justino)





Aqueles três garotos que por um acaso do destino incompreensível, estavam naquele mesmo lugar, na mesma hora, sentindo a mesma sensação. Por quê? Talvez seja porque alguma força superior pregou uma faixa traçando seus caminhos ou realmente era pura coincidência.
Dizem que nós conhecemos apenas 2% do que tem nos oceanos, mesmo assim já é muita coisa e ao mesmo tempo nada. Nós conhecemos a mesma coisa sobre nós mesmos, 2%, sendo assim, ainda nos perguntamos quem somos ou que viemos fazer aqui, qual o propósito da vida e por que eu odeio tanto brócolis? Viver os grandes prazeres da vida. O que será que um ser humano faria pra estar no auge disso? Ninguém em momento algum pensa no por que de estar fazendo isso. A menos Douglas tentou, mas as drogas dissimularam esses pensamentos. Carlos estava preocupado demais afundado em suas ambições. E Marcos morreu antes de concluir o raciocínio. Assim, nenhum dos três ao menos parou pra pensar o que seriam de suas vidas se eles tivessem parado pra respirar um pouco.


Assim que Marcos entrou na sala ouviu-se um disparo, um flash de luz, o som de um corpo caindo no chão e depois, silêncio. O tiro havia sido certeiro, bem no meio da testa e a vitima permanecia inerte no chão como um bebe recém nascido dormindo em um sono tão profundo quanto os próprios oceanos. Por que isso tinha que acontecer logo com o mais nobre dos três? Aquele que pensou em parar e voltar atrás antes que fosse tarde demais para salvar suas vidas. A resposta se encontrou para Marcos em um preço de apenas uma bala nove milímetros atravessando um crânio humano e o fraquejar dos membros fazendo o corpo tombar no chão. Silêncio. Foi apenas isso que se pode ouvir nos últimos cinco minutos no Covil das Loucas, nada mais do que o suave e doce som do silêncio. Silêncio que o Covil das Loucas nunca tivera experimentado desde sua inauguração, mesmo sem os clientes se ouvia pelo menos o barulho dos ratos ou de alguém lavando o salão, mas hoje só se pode ter silêncio. Algo que nem mesmo Marcos vai poder esquecer. O que esperar de uma vida corrida e louca, baseada em apenas mentiras e desejos?
Não existiu em momento algum a palavra limite escrito no destino dele. Uma pessoa que apenas procurava as respostas do que era a sua vida, procurava saber quais seus limites. Depois de olhar para traz ele percebeu que os limites não haviam limites e até onde ele havia chegado não havia mais volta. Não tinham mais documentos ou pai de santo que o salvasse desse inferno que ele se encontrava.
Não é só o sexo, as drogas ou as mentiras, mas sim o que elas representaram para mostrar que um ser é dotado de mais livre arbítrio do que o lhe foi concebido por Deus. Pode se fazer muito mais coisas que imaginas e dizer palavras tão amargas que o seu próprio ego vai duvidar que você seja humano.
Você sabe o que é buscar seus limites e testar a capacidade humana sem olhar ao menos para o que vai acontecer no futuro? Se a resposta é não, a historia de Marcos ou pelos menos até a parte em que ele descobriu que ninguém pode regrar os seres humanos vai lhe dizer pelo menos mais 1% do que é ser humano. Desde o primórdio da idéia até o dia em que ele entrou na sala e levou aquele tiro. Silêncio é o que eu peço enquanto você estiver lendo porque, cada centelha de palavra vai valer a pena ou pelo menos espero que seja de algo útil, pra mudar a sua vida e dizer que nós não somos quem queremos ser, mesmo que você afirme isso botando em risco toda a sua dignidade. Nada disso teria acontecido a Marcos se ele tivesse parado e pensado nas conseqüências de ter aceitado aquele convite.



continua em Silêncio [2]...

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