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segunda-feira, 10 de março de 2008

Silêncio [2]

Após o disparo, Carlos levantou-se da poltrona vermelha e surrada do escritorio do velho, guardou a arma na cintura e foi verificar o corpo. Sim. Ele estava morto. Marcos, o traidor, o Judas em seu ponto de vista, um ex-amigo, com uma alma não mais presente no mundo físico. Depois da descoberta de sua traição, Carlos não mediu forças e nem teve piedade. Algo tinha que ser feito quem quer que fosse o seu alvo. Ele não foi perdoado como qualquer um que se opunham as suas idéias. Carlos não seria mais contrariado. Seus objetivos já podiam voltar a ser concluídos. Seu plano de tirar o mundo dessa imensa depressão que eles chamam de vida, sem nenhuma grande aventura ou grandes objetivos. Ele sim tinha um sonho, e esse sonho era fazer as pessoas sonharem mais uma vez, pois elas estavam tão consumidas pela alienação nossa de cada dia, que não seriam capazes de levantar um dedo sequer para pensar: Será que a vida não vai passar disso? Vida e morte? Vida ou morte. Ele pensou diferente quando quis transformar sua idéia em algo físico. Ele tentou fazer sua vida virar uma idéia, porque as idéias não costumam morrer.
Teve a impressão de ter visto a sinueta de alguém na porta, abaixou a cabeça e continuou a apreciar o sangue de seu amigo no carpete.
- Entra Douglas!
- Era o Marcos mesmo, quase não posso acreditar! - disse o ser magro com pele alva e suado feito um porco entrando pela sala tremendo.
- É, mas não era surpresa, essa história do Marcos já é bem veeeeeelha.
Um celular toca. A sala mergulha por mais alguns instantes em silêncio. Carlos vasculha o cadaver, acha o telefone e o atende.
- Marcos? Alô?
Silêncio.
- Alô, Marcos? So eu o Tavinho. Olha, guenta mais quinze minuto aí que já tamo chegando na vila...
Silêncio.
- Marcos?
- Acho que ele não pode atender agora.
- Quem ta falando? Ca... Carlos? Cadê o Marcos? Ele ta do teu la...
- Cala a boca e me escuta imbecil. O conselho vai saber dessa presepada de vocês. E pra você botar fé, o Marcos ta morto aqui do meu lado e vocês são os proximos.
- Carlos seu filho da puta! Eu vo te pega ta entendendo...
Carlos desligou o telefone e se levantou, quando o telefone começou a tocar denovo ele o jogou no chão e deu um tiro.
- Douglas! Pega a gasolina vamos botar fogo nessa porra.



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- ABRE LOGO ESSA PORTA PORRA!
Do outro lado ainda com a arma na mão Carlos acendia um cigarro, enquanto Douglas limpava os oculos com desespero após ter amontoado todos os galões de gasolina.
- ABRE ESSA PORTA CARALHO! A GENTE VAI METE O BICHO EM VOCÊS! - insistiam as vozes do lado de fora do Covil das Loucas.
- É a policia? - peguntou Douglas
- Não. - disse Carlos - Parece a voz do Tavinho.
- E o que esse idiota veio fazer aqui?
- Eu imajino
Carlos explicou que o plano de Marcos de tentar mata-lo dera errado. Carlos havia descoberto tudo por fonte altamente confiaveis a ele e agora os dois tinham que sair dali sem serem pegos pelos seus ex-companheiros.
- CARLOS! VOCÊ NÃO VAI SE SAFA DESSA SEU DESGRAÇADO! EU VOU TE PEGAR PESSOALMENTE!
- Vai Douglas. Deixa que daqui eu assumo. Toma as chaves do matadouro e pega o meu diário. Talvez eu não volte pra casa hoje.
Pegando uma cadeira sentou-se no meio do salão em frente ao corpo do amigo que arrastara do escritório, equanto o outro escapava pela saída secreta que o velho costumava usar para escapar da policia, "saudade do papai" pensou ele.
Um estrondo e as portas do salão se abrem. Carlos abre um sorriso.


continua em Silêncio [3]...

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