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sexta-feira, 24 de abril de 2009

Silêncio - [5]


Um click e a porta se abre junto com um frio subindo a coluna de Douglas e desaguando em sua nuca.
- Cheiro de sangue.
O matadouro era um apê localizado num bairro antigo, com ruas estreitas daquelas que só passam 2 carros no máximo. A vizinhança era um conjunto de edificios bizarramente posicionados de uma maneira estranha. Como se seus arquitetos quizessem que seus ocupantes ficassem bisbilhotanto as inumeras janelas alheias. Dois dos cinco prédios foram abandonados por causa de um incendio que matou todos os ocupantes, um terceiro que havia ficado parcialmente queimado foi condenado pelos bombeiros e teve que ser evacuado "temporariamente" e os que sobraram foram abandonados por conta da má localização do bairro e dos bebados e drogados que viviam nos vago interior dos vagos apartamentos vagos.
Douglas odiava aquele lugar, talvez a decoração e o grito dos viciados em crack se contorcendo fizeram parte do veredito de Carlo para a escolha daquele buraco horrivel.
Um colchão queimado com as molas espostas servia de porta para o banheiro. Um outro colchão aparentemente novo estava no chão com sangue seco em cima, alias, havia marcas de mãos e respingos de sangue nas paredes e no teto. O que mais assustava é que o chão era de um marmore negro tão limpo e lustroso que se poderia comer nele.
Foi lá que Carlo havia se convertido para aquela religião que Marcos e Douglas julgavam loucura.
- O diario, Douglas -um sussurro em sua cabeça.
Douglas puxou o colchão e o caderno de capa de couro marrom claro desbotado e levemente gasto estava repousando sobre uma especie de desenho compostos por varios circulos feitos com cera de vela derretida. Na capa tinha um desenho parecido com um h misturado com um t. Mais calafrios.