"...e ver o cranio daquele menino ser esmagado sobre o meu coturno foi como ver uma manga ser esmagada pela roda de um carro em movimento..."
Saindo do colégio, Marcos viu aquele velho de novo esperando encostado no seu carro maneiro. Não sabida o porquê, mas a pose dele o irritava profundamente, principalmente quando ele tirava os oculos e fixando os olhos nos de Marcos, lambia de canto a canto seus lábios. Nesse dia Marcos perdeu a calma e isso foi evidente quando uma pedra de mais ou menos 4 quilos, foi lançada em direção ao velho acertando a lateral do carro e amassando profundamente a porta.
- SUA BICHA VELHA DE MERDA! VAI PROCURA OUTRO CÚ PRA COMER, CARALHO! PARA DE FICAR ME SECANDO SENÃO CHAMO A POLICIA!
O velho nem deu bola. Só ficou olhando o tamanho do amassado no seu carro.
- E A PROXIMA VEZ QUE EU TE VER NA MINHA FRENTE EU VOU FAZER VOCÊ CAGAR OS SEUS DENTES SEU VIDADO!
O físico de Marcos era até de se adimirar. Sempre o primeiro da classe de educação física, sempre o mais procurado pelas meninas, além de ter um rosto levemente angelical que parecia ter sido desenhado nos minimos detalhes para combinar com seu corpo magro e definido como o de um anjo.
Assim que ouviu as palavras asperas do moleque sem noção, o velho sacou a chave do carro e se mandou fazendo o ego de Marcos subir as alturas devido aos comentários feitos pelos seus amigos, elogiando sua ação e bravura.
***********
No dia seguinte ao sair da aula Marcos notou a ausencia do velho fazendo um sorriso brotar de leve em seus labios carnudos e um breve "huh" do tipo: "Huh, eu sou foda".
- Ei Marcos! Aquele teu namorado nem veio hoje. (risadinhas)
- Fica na tua senão tu toma o teu também, Douglas - disse em tom irônico para o ser pálido e magrela de oculos do seu lado enquanto fazia o sinal do onibus.
Marcos ficou se vangloriando internamente por simplismente ser foda. Sempre era ele que enfrentava os professores ou alguém mais velho, sempre tomava a frente nos seus grupos de amizade. Parte do aspecto intimidador da personalidade de Marcos se dava a sua mãe viuva sempre ser liberal e sempre deixar o moleque fazer o que quiser. Ele nunca conheceu o pai que morreu em um acidente de carro quando ele ainda era um bebe de colo e foi essa ausencia de figura paterna que o fez crescer frio e calculista, expondo seus hormonios masculinos sempre que podia, mostrando que nunca precisou de ninguem pra se defender de alguem maior que ele.
Fez o sinal do onibus e se lançou para a calçada, antes mesmo que o veiculo parasse totalmente, dando passinhos descontrolados devido a inercia e continuou com a total bossalidade estampada na cara. Arrumou o topete e andou como se fosse um daqueles personagens de cinema jogados e de ressaca que sempre são os fodões.
- Aí mano, dá um real ae pra nós! - disse um moleque de rua se aproximando com a mão embaixo da camisa suja e encardida.
- Sai fora baba...
Antes que ele pudesse terminar a frase ele percebeu que entre a pele fedida e os trapos velhos daquele muleque estava um calibre 38 pronto pra mandar o peito de Marcos pro espaço que até pensou em reagir, se não fosse a distancia e a van parando em seu lado, como um cliche de filme, em uma cena de sequestro, com direito a capuz preto e pessoas o puxando pra dentro do escuro e medonho interior da van.
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Vendado, só podia ouvir o ronco do motor e o som do atrito das rodas no asfalto misturado ao seixo. A unica coisa que sentia eram as mãos atadas e o balançar das curvas que a van fazia, fora isso, silencio. Ninguem falava nada e nem gestuava nada. Se sentia tonto e enjoado, mas não conseguia vomitar, o que seria muito conveniente pra sacanear aqueles que o tinham sequestrado, quem quer que sejam.
Quando a van parou sentiu um calafrio.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Silêncio - [7]
Douglas ja dentro do carro não conseguiu dar a partida, antes precisava responder pra si a pergunta que qualquer um que tivesse conhecimento dos ultimos acontecimentos faria. Como as coisas foram chegar ao ponto que estão?
Talvez seja tão inesplicavel quanto uma criança queimando um formigueiro com uma lupa. Em parte aquilo tudo é pura maldade - pra quem ve de longe -, mas não sabem o universo novo que a criança descobre nesses experimentos, ao ver aqueles corpinhos se contorcendo e depois não fazendo mais nada. Sentir sua mente voar pela janela às vezes faz parte do plano. Depois de tudo, o ensinamento das formigas servem pra a criança saber que, o que está acima e tem poder, pode te detonar ou te jogar um torrão de açucar. E nisso Douglas pensou no quanto Deus era cruel e se realmente ele existia.
Talvez seria melhor ele se matar, mas o intrigava tanto saber o ponto em que o retorno ja era inviavel, devido a inercia dos acontecimentos. "O fim não justifica os meios", pensou. A problemática do assunto é que nada tinha sentido e por isso nada tinha um proposito. A unica motivação era o teste do proprio espirito, então resolveu pensar quando ele e Marcos ainda estavam no segundo ano do colegial e por um convite do amigo resolveu entrar nessa merda toda chamada: O clã das Araras-Vermelhas.
Talvez seja tão inesplicavel quanto uma criança queimando um formigueiro com uma lupa. Em parte aquilo tudo é pura maldade - pra quem ve de longe -, mas não sabem o universo novo que a criança descobre nesses experimentos, ao ver aqueles corpinhos se contorcendo e depois não fazendo mais nada. Sentir sua mente voar pela janela às vezes faz parte do plano. Depois de tudo, o ensinamento das formigas servem pra a criança saber que, o que está acima e tem poder, pode te detonar ou te jogar um torrão de açucar. E nisso Douglas pensou no quanto Deus era cruel e se realmente ele existia.
Talvez seria melhor ele se matar, mas o intrigava tanto saber o ponto em que o retorno ja era inviavel, devido a inercia dos acontecimentos. "O fim não justifica os meios", pensou. A problemática do assunto é que nada tinha sentido e por isso nada tinha um proposito. A unica motivação era o teste do proprio espirito, então resolveu pensar quando ele e Marcos ainda estavam no segundo ano do colegial e por um convite do amigo resolveu entrar nessa merda toda chamada: O clã das Araras-Vermelhas.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Silêncio - [6]
"Hoje eu peguei um onibus sem pensar, pois pensei que eles ainda me perseguiam. É dificil imaginar se eles estão interessados no que eu carrego comigo, mas não quero arriscar.
O telhado de um galpão levantou com o vento forte da noite passada e matou um garoto que tinha pais desesperados gritando e se arranhando nos escombros. Achei que era uma cena tipica de um curta bizarro pois eu não consegui sentir nada que a gente sentiria numa hora como essas, além de apreciar levemente aquela cena magica composta por esquisitas sensações. Eu quis rir e o fiz com vontande sem pensar no que os outros iriam achar. Isso me passava uma sensação boa como se eu estivesse mergulhando em uma piscina de bolhas de isopor de alguma encomenda feita por telefone.
Teve uma hora que eu olhei pro rosto do menino e vi que parecia com o meu. Fiquei muito assutado e parei de rir. O menino era eu e os pais deles eram os meus. Como? Eu estava olhando pra minha própria morte e rindo dela.
Eu desci correndo do onibus cruzando o engarrafamento aos prantos como um nenem. Eu tentava tocar meus pais mas eles se desfaziam como areia e o menino ensanguentado com a mandibula arrebentada abriu os olhos e começou a rir de mim quando..."
Douglas fechou o livro agora sentindo um calafrio assustador fazendo o correr do matadouro desesperado em direção ao carro.
O telhado de um galpão levantou com o vento forte da noite passada e matou um garoto que tinha pais desesperados gritando e se arranhando nos escombros. Achei que era uma cena tipica de um curta bizarro pois eu não consegui sentir nada que a gente sentiria numa hora como essas, além de apreciar levemente aquela cena magica composta por esquisitas sensações. Eu quis rir e o fiz com vontande sem pensar no que os outros iriam achar. Isso me passava uma sensação boa como se eu estivesse mergulhando em uma piscina de bolhas de isopor de alguma encomenda feita por telefone.
Teve uma hora que eu olhei pro rosto do menino e vi que parecia com o meu. Fiquei muito assutado e parei de rir. O menino era eu e os pais deles eram os meus. Como? Eu estava olhando pra minha própria morte e rindo dela.
Eu desci correndo do onibus cruzando o engarrafamento aos prantos como um nenem. Eu tentava tocar meus pais mas eles se desfaziam como areia e o menino ensanguentado com a mandibula arrebentada abriu os olhos e começou a rir de mim quando..."
Douglas fechou o livro agora sentindo um calafrio assustador fazendo o correr do matadouro desesperado em direção ao carro.
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