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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Silêncio - [6]

"Hoje eu peguei um onibus sem pensar, pois pensei que eles ainda me perseguiam. É dificil imaginar se eles estão interessados no que eu carrego comigo, mas não quero arriscar.
O telhado de um galpão levantou com o vento forte da noite passada e matou um garoto que tinha pais desesperados gritando e se arranhando nos escombros. Achei que era uma cena tipica de um curta bizarro pois eu não consegui sentir nada que a gente sentiria numa hora como essas, além de apreciar levemente aquela cena magica composta por esquisitas sensações. Eu quis rir e o fiz com vontande sem pensar no que os outros iriam achar. Isso me passava uma sensação boa como se eu estivesse mergulhando em uma piscina de bolhas de isopor de alguma encomenda feita por telefone.
Teve uma hora que eu olhei pro rosto do menino e vi que parecia com o meu. Fiquei muito assutado e parei de rir. O menino era eu e os pais deles eram os meus. Como? Eu estava olhando pra minha própria morte e rindo dela.
Eu desci correndo do onibus cruzando o engarrafamento aos prantos como um nenem. Eu tentava tocar meus pais mas eles se desfaziam como areia e o menino ensanguentado com a mandibula arrebentada abriu os olhos e começou a rir de mim quando..."

Douglas fechou o livro agora sentindo um calafrio assustador fazendo o correr do matadouro desesperado em direção ao carro.

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