"...e ver o cranio daquele menino ser esmagado sobre o meu coturno foi como ver uma manga ser esmagada pela roda de um carro em movimento..."
Saindo do colégio, Marcos viu aquele velho de novo esperando encostado no seu carro maneiro. Não sabida o porquê, mas a pose dele o irritava profundamente, principalmente quando ele tirava os oculos e fixando os olhos nos de Marcos, lambia de canto a canto seus lábios. Nesse dia Marcos perdeu a calma e isso foi evidente quando uma pedra de mais ou menos 4 quilos, foi lançada em direção ao velho acertando a lateral do carro e amassando profundamente a porta.
- SUA BICHA VELHA DE MERDA! VAI PROCURA OUTRO CÚ PRA COMER, CARALHO! PARA DE FICAR ME SECANDO SENÃO CHAMO A POLICIA!
O velho nem deu bola. Só ficou olhando o tamanho do amassado no seu carro.
- E A PROXIMA VEZ QUE EU TE VER NA MINHA FRENTE EU VOU FAZER VOCÊ CAGAR OS SEUS DENTES SEU VIDADO!
O físico de Marcos era até de se adimirar. Sempre o primeiro da classe de educação física, sempre o mais procurado pelas meninas, além de ter um rosto levemente angelical que parecia ter sido desenhado nos minimos detalhes para combinar com seu corpo magro e definido como o de um anjo.
Assim que ouviu as palavras asperas do moleque sem noção, o velho sacou a chave do carro e se mandou fazendo o ego de Marcos subir as alturas devido aos comentários feitos pelos seus amigos, elogiando sua ação e bravura.
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No dia seguinte ao sair da aula Marcos notou a ausencia do velho fazendo um sorriso brotar de leve em seus labios carnudos e um breve "huh" do tipo: "Huh, eu sou foda".
- Ei Marcos! Aquele teu namorado nem veio hoje. (risadinhas)
- Fica na tua senão tu toma o teu também, Douglas - disse em tom irônico para o ser pálido e magrela de oculos do seu lado enquanto fazia o sinal do onibus.
Marcos ficou se vangloriando internamente por simplismente ser foda. Sempre era ele que enfrentava os professores ou alguém mais velho, sempre tomava a frente nos seus grupos de amizade. Parte do aspecto intimidador da personalidade de Marcos se dava a sua mãe viuva sempre ser liberal e sempre deixar o moleque fazer o que quiser. Ele nunca conheceu o pai que morreu em um acidente de carro quando ele ainda era um bebe de colo e foi essa ausencia de figura paterna que o fez crescer frio e calculista, expondo seus hormonios masculinos sempre que podia, mostrando que nunca precisou de ninguem pra se defender de alguem maior que ele.
Fez o sinal do onibus e se lançou para a calçada, antes mesmo que o veiculo parasse totalmente, dando passinhos descontrolados devido a inercia e continuou com a total bossalidade estampada na cara. Arrumou o topete e andou como se fosse um daqueles personagens de cinema jogados e de ressaca que sempre são os fodões.
- Aí mano, dá um real ae pra nós! - disse um moleque de rua se aproximando com a mão embaixo da camisa suja e encardida.
- Sai fora baba...
Antes que ele pudesse terminar a frase ele percebeu que entre a pele fedida e os trapos velhos daquele muleque estava um calibre 38 pronto pra mandar o peito de Marcos pro espaço que até pensou em reagir, se não fosse a distancia e a van parando em seu lado, como um cliche de filme, em uma cena de sequestro, com direito a capuz preto e pessoas o puxando pra dentro do escuro e medonho interior da van.
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Vendado, só podia ouvir o ronco do motor e o som do atrito das rodas no asfalto misturado ao seixo. A unica coisa que sentia eram as mãos atadas e o balançar das curvas que a van fazia, fora isso, silencio. Ninguem falava nada e nem gestuava nada. Se sentia tonto e enjoado, mas não conseguia vomitar, o que seria muito conveniente pra sacanear aqueles que o tinham sequestrado, quem quer que sejam.
Quando a van parou sentiu um calafrio.
terça-feira, 26 de maio de 2009
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Um comentário:
o marcos se deu mal, mas cade or esto da historia?
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